sexta-feira, maio 01, 2009

Seitas suicidas - Templo dos Povos


Grandes heróis normalmente possuem nome e sobrenome iniciando pela primeira letra. Peter Park é o Homem Aranha, Clark Kent (ok...foneticamente é o mesmo som) é o Superman, Scot Summers é o Ciclope, Bruce Banner é o Hulk, Claudio Cunha ... Sou eu! (Sim...tem um Cunha antes do Gaspari). Mas as vezes temos grandes mentes doentias apresentando a mesma característica. Essa é a história de Jim Jones.

Pensei muito em como contar essa história para vocês e nunca sabia como começar. Primeiro por ser uma história que sempre me fascinou... Não como admiração ou desprezo e sim com espanto. Eu sempre tive facilidade de entrar numa mente doentia e imaginar o que a pessoa está pensando. Consigo, por exemplo, imaginar o que um serial killer clássico deseja com seus delitos. Na maioria dos casos, dá para imaginar, pelo menos suavemente, o que se passa em suas mentes e, no caso de Jim Jones, eu nunca consegui invadir seu cérebro. Para mim é uma completa incognita.

Outra coisa que sempre me espantou foi a amplitude de seus feitos e a quantidade de pessoas que ele conseguiu convencer, de uma forma ou de outra, a tirar a própria vida sem relutar. Eu pensei em fazer um texto constando passo a passo a vida do cara e fazer surpreza quanto ao final, mas até o título estraga tudo...Afinal estamos falando de seitas suicidas e o final não pode ser muito diferente do que vocês estão pensando...Sim...Praticamente 1000 pessoas tiraram suas vidas apenas pelo desejo de um homem. Tudo por... Jim Jones.

Agora sim vamos contar passo a passo como essa barbaridade típica de filmes de horror conseguiu tomar a vida real. Ao longo do texto vou tenta expressar o que eu penso das suas intenções.

Li em alguns lugares que Jim Jones já tinha um certo mal no seu coração na infãncia. Boatos contam que tinha mania de pegar gatos e pendurar pelos rabos no varal para que brigassem até um deles morrer. Do mesmo modo, havia algo de bom no seu coração. Seu pai era membro da Ku Klux Klan, conhecido grupo racista norte americano, mas Jim Jones não concordava com essa separação racial e lutava contra a discriminação.

Então Jim cresceu e iniciou sua luta pelo que acreditava ser o correto. Fez um curso de pastor por correspondência (é sério...Não é piada!!!) , virou Reverendo e criou sua própria religião cristã na década de 50 chamada "Templo dos Povos". O que ele pregava? Igualdade, desenvolvimento da força moral e desapego aos bens materiais. A coisa estava funcionando. O sujeito tinha uma lábia maravilhosa e atingia em cheio aos mais fragilizados. Se nos EUA a luta racial ainda é forte, imagine na década de 50! Pois Jim Jones pregava pela igualdade. Queria brancos, negros, latinos, amarelos...todos juntos como um só povo. Da mesma forma que atraia uma massa de pobres coitados, também atraia olhares de desaprovação.


Como toda igreja, o Templo dos Povos vivia com a grana dos fiéis. E quanta grana...Esse lance clássico já conhecido por nós..."Prove sua fé me dando tudo o que tem". O bambá estava dando tão certo que com o tempo Jim comprou emissoras de rádio e televisão (sem comparações, por favor). Em 70 Jim transferiu a sede da empres...Igreja para São Francisco e entrou na vida política pelos bastidores. Sabe o filme Milk que conta a vida de Harvey Milk, ativista político gay? Pois é...Jim era um dos maiores financiadores da campanha. Ele realmente lutava pela igualdade dos povos e era socialista de carteirinha. Ele reralmente não tinha discriminação alguma em seu coração...Tanto que transava com todo mundo...fosse homem ou mulher, fiel à igreja.


Parecia que ele ia conseguir prosperar cada vez mais. Mas o que é bom (para ele) não durou tanto. As acusações começavam a aparecer e em 77 um jornal publicou uma grande matéria derramando seus podres. Apropriação de bens dos fiéis, torturas físicas, psicológicas e falsos milagres. O governo começou a investigar tudo e Jim fez o que todo meliante faria...Fugiu...Caiu fora do país. E não foi sozinho! Como ele já esperava algo parecido, alguns anos antes ele comprou um grande terreno na Guiana e iniciou o que ele viria a chamar de Jonestown.

Lá , ele começou sua utopia. Uma comunidade autosuficiente onde todos eram iguais e ele poderia ser o próprio Jesus Cristo. Os que o seguiram esperavam chegar numa espécie de paraíso, onde nunca mais passariam fome ou medo... O dinheiro nunca mais regularia suas vidas e todos seriam eternamente felizes. Mas o que encontraram não era bem o paraíso.

Primeiro. Jonestown não estava totalmente pronta.Todos teriam que trabalhar, e muito até a coisa começar a funcionar. Então que tal quase mil pessoas num lugar sem infraestrutura nenhuma? Tomar banho? papel higiênico? Comida farta? Notícias do mundo?
A única coisa que eles ouviam era a voz de Jim Jones nas caixas de som espalhadas por todos os lugares.

Segundo. Em um lugar como esse divergências começam a aparecer. E se alguém comessasse a reclamar? Os "Anjos" (guardas armados) de Jim apareciam e ameaçavam a pessoa. Isso quando não partiam para a agressão física. Jim Jones faria aquele lugar funcionar de uma forma ou de outra. O povo não entenderia no início mas depois todos agradeceriam as porradas que levavam.

Em resumo...O lugar virou praticamente um campo de concentração onde a fuga era punida severamente.Quem fugia era punido, quem reclamava era punido, quem parasse de trabalhar era punido.

O próprio Jim Jones estava notando que a coisa não ia funcionar. Em depressão ele começa a se entregar (mais, por que ele já era adepto) a bebidas e drogas.

Nos EUA os parentes dos que ficaram começaram a exigir do governo uma investigação. passeatas eram organizadas. O povo queria saber o que estava acontecendo. Então, são escalados para visitar Jonestown, um Deputado chamado Leo Ryan e alguns jornalistas para investigarem o que acontecia no local.

Quando eles chegaram, se espantaram com a organização. Pessoas felizes, bem vestidas os receberam com festas. Não havia nada de errado por lá. O deputado até comenta que achava difícil que eles fossem tão felizes assim na sua vida nos EUA.

O problema é que , obviamente, Jim preparou o terreno antes da chegada dos caras. Obrigou a todos que vestissem suas melhores roupas e fez ameaças de morte a quem tentasse contar o que acontecia.

Só que a comitiva acabou ficando tempo demais. Tempo suficiente para receberem bilhetinhos com pedidos desesperados de socorro. Perguntaram a Jim o que era aquilo e ele respondeu com a cara mais limpa do mundo: São brincadeiras de alguém.

Então o caos se instala. Um fanático tenta esfaquear o deputado sem sucesso.

Esse foi o começo do fim! A comitiva, com a pulga atras da orelha, tentou sair dali o mais rápido possível. E tentaram levar alguns desertores com eles...Mas na hora de embarcar no avião foram suspreendidos pelos Anjos. Com armas em punho, deflagaram vários tiros que mataram o deputado e mais quatro pessoas. 11 ficaram feridos.

Agora Jim sabia que tinha ido longe demais. E como uma criança que não vai mais brincar e também não quer que ninguém brinque, ele resolve destruir o que tinha começado... Jonestown vai morrer e todos que estão dentro dela, também!

Era algo que já estava dentro dos planos dele. Tanto que apenas disse pelos auto-falantes:

- Por favor, tragam o remédio!

É esse momento que sempre me espantou. Uma coisa é fechar um campo de concentração nazista metralhando todos os Judeus que estavam dentro. Outra é oferecer a própria arma ao condenado para que ele se mate.

Todos receberam um copo com suco misturado com veneno e, em sua grande maioria, mesmo sabendo o que estavam fazendo...eles tomaram...

Claro. Alguns relutaram, mas acabaram sendo convencidos a tomar. Mães davam a seus filhos pequenos e depois ingeriam a droga. Nas caixas de som só se ouvia a voz de Jim Jones insistindo para que os relutantes aderissem ao suicídio coletivo.

"Morram, morram com alguma dignidade. Vamos acabar logo com isso. Acabar logo com essa agonia."

"Rápido, rápido. Se não podemos viver em paz, vamos morrer em paz"

Antes de morrer, com uma bala na cabeça (não se sabe quem o matou) Jim deixa sua última mensagem:

"Não cometemos suicídio. Cometemos um suicídio revolucionário contra um mundo desumano"

Esse foi o fim de Jonestown e a seita Templo dos Povos.




Vocês sacaram onde eu quero chegar com isso tudo? Jim Jones não era Deus, não tinha poderes mágicos e não botou uma arma na cabeça de quase ninguém...pelo menos não no dia. Ele usou apenas o poder da palavra para convencer quase 1000 pessoas a cometer suicídio. Claro que alguns devem ter sido forçados a isso, mas pensem... 1000 PESSOAS. Haviam pouco mais de 300 crianças. O restante de adultos. Acham mesmo que haviam "Anjos " suficientes com armas para convencerem 400 pessoas adultas a se matar? Claro que não...Principalmente por que os Anjos também se mataram!

Quantas mentes fracas juntas...quanto poder nas palavras de um homem. As imagens aéreas do local após o suicídio são incríveis. Um mar de gente morta ao chão. Até cães mortos haviam... Acredito que os cães não suicidaram-se...mas enfim! HUahuahuah...Foi mal...esqueci que o texto era sério...

Ok, povos...Esta é a história do maior suicídio coletivo da história da humanidade. Esperam que tenham gostado... Em breve eu conto mais sobre isso...o que tem de seita suicida por aí não é pra brincadeira.


Curiosidades:

Jim Jones tinha dois filhos na cidade. Um branco e um negro. Ambos foram mandados para uma cidade vizinha um dia antes do suicídio coletivo.

Quando as acusações de apropriação indebita de bens dos fiéis começaram a aparecer, Jim Jones veio morar no Brasil em Belo Horizonte, onde ficou um ano até a poeira baixar. Depois retornou aos EUA.

Jonestown sobreviveu no meio da selva da Guiana por quase um ano antes de alguém resolver se preocupar com ela.

O dia em questão foi 18 de novembro de 1978.



Chico Anysio tinha um personagem chamado Tim Tones no seu programa humorístico da Globo. Vídeo abaixo:



Se ficou curioso veja a reportagem abaixo da rede Globo. Verão que toda a história de Jonestown foi documentada. Tem vídeos de tudo!


5 comentários:

Deby disse...

Gostei da parte sobre os cachorros... :P
Não passava aqui há um tempo, texto perfeito como sempre Feioso, parabens!!!

Juliana disse...

Muito bem pesquisado, Claudio. Isso mostra como o fanatismo deixa a gente cego.

diogo disse...

E quando acaba o maluco sou eu!!!

SAILIO disse...

Cara TO SEGUINDO SEU BLOG TEM UM TEMPINHO e cara a mente humana é sem noção n da pra prever nada mais nada mesmo do os humanos serão capases de fazer e...que venham as maquinas!!!!!

Raul DO AVIVAMENTO disse...

fiz uma tattoo escrito "peoples temple 1978"