domingo, março 15, 2009

Psicografia como prova jurídica?


Tive uma inspiração divina para escrever esse artigo para vocês. É sério...Foi a deusa da minha digníssima esposa (espero que ela leia esse elogio, hehehe) que está fazendo um trabalho para a faculdade baseado nesse assunto.

Que assunto é esse?

Psicografia como meio de prova no processo penal.

Não vou entrar no bla bla bla jurídico. Isso é coisa para os trabalhos chatos de faculdade. Eu só vou ficar com a parte "sobrenatural" da coisa.

Então vamos lá.

Nosso querido amigo Baroni parte dessa para uma melhor...Na verdade nem é para uma melhor ainda... Seu espírito fumacento está irritadíssimo, pois sua morte foi confundida com um suicídio. E na verdade não foi! Ele foi brutalmente assassinado por seu camarada de longas datas, Bazilhu. Tudo fruto de uma discussão sobre a existencia ou não de uma esponja falante no fundo do mar. Bazilhu, irritado pela negação do amigo, arquitetou sua morte de forma maestral utilizando um tranquilizante indetectável na corrente sanguínea do Baroni e o colocou numa forca. Fez até a famosa nota de suicídio no pc do amigo. Lá no Word estavam as seguintes palavras:

"Adeus mundo cruel!"

Um clássico! Então o fumegante espítrito Baronesco utlilizou de todos os seus conhecimentos adquiridos em horas e horas de sessões de pipoca com o filme "Ghost" , invadiu o corpo da amiga Mônica (no bom sentido) e a fez psicografar uma carta relatando todo o ocorrido.

Mônica pega a carta e faz uma denúncia ao ministério público. O promotor tem a mente aberta e passa a investigar melhor o possível crime.

Depois do caso todo arquitetado, no julgamento, essa carta será usada como uma das provas. Eles chamam isso de prova subsidiária. Essa carta não será uma prova definitiva. Apenas serve como auxiliar. Ela não vai ser responsável direta pela condenação de Bazilhu, mas soma ao montante das demais provas.

Enfim...Bazilhu preso e a alma atormentada do Baroni pode seguir seu caminho ao nirvana...Ou como espírito de porco...o que ele prefirir.

Ok. Massa, não? Coisa de filme? Não! Existem pelo menos 4 situações onde psicografias foram usadas como prova na justiça brasileira. Todas psicografadas pelo espírita Chico Xavier. Todas obviamente polêmicas.

1-2) Dois crimes de homicídio ocorridos em goiania. Um no dia 10 de fevereiro de 1976 praticado por João Batista França contra Henrique Emmanuel e um segundo no dia 8 de maio de 1976 cometido por José Divino Gomes contra Murício Garcez Henriques. Em ambos os autores foram absolvidos.

3)Um crime de homicídio no Mato Grosso do Sul dia 1 de março de 1980 praticado por José Francisco Marcondes de Deus contra sua esposa Cleide Maria, Ex miss Campo Grande. João, condenado por homicídio culposo teve sua pena prescrita.

4) Um crime de homicídio na localidade de Mandaguari no dia 21 de outubro de 1982. Um soldado da polícia militar conhecido como Branquinho detonou um deputado federal chamado Heitor Cavalcante. Nesse caso, embora a psicografia tenha sido aceita entre as provas tentando inocentar o assassino, o juri o considerou culpado.


Enfim. A sociedade brasileira e consequentemente sua justiça pode aceitar esse tipo de prova? Na minha opinião leiga, sim. Independente de religião, o brasileiro, na grande maioria, aceita a vida após a morte. Então por que não aceitar que esse espírito possa enviar uma mensagem? Cabe ai periciar devidamente a tal carta para que seja aceita como a letra do morto. Exames grafológicos devem ser realizados para confirmar a autenticidade.

O médium que psicografou também deve ser uma pessoa de renome na área. Não adianta qualquer mané aparecer por lá com a tal carta. Nos casos acima o médium era o de maior renome no Brasil, sendo mais facilmente aceitas.

Essa tal psicografia, para ser aceita, deve estar em harmonia com as demais provas. Não adianta ter uma psicografia inocentando o assassino se existirem 15 provas o acusando do crime.

Obviamente existem problemas para esse tipo de prova ser aceito. Existem muitos obstáculos.Talvez o maior deles seja a religiosidade do tema. Vamos por partes. O Brasil é considerado um "Estado Laico". Isso significa que ele se mantém neutro no que diz respeito a religião. Então temos que imaginar que todas as religiões devem ter "força igual" perante a lei. Então fica difícil propor uma psicografia como prova se algumas religiões não admitem vida após a morte imediata. A maioria dos evangélicos, por exemplo, acredita que essas "comunicações do além" são feitas por demônios e não espíritos.

No trabalho que minha digníssima esposa está fazendo, por exemplo, ela tenta desvincular a psicografia da religião espírita, o que eu acho meio difícil. Uma das maiores incoerências é o fato de citar que o veículo da psicografia deve ser pessoa de renome no meio. Que meio? O meio espírita? Acho que ela vai tentar "desreligiosidar" o espiritismo, o dando conceito de ciência e não religião. Acho que isso deve ser bem pensado.

Enfim, polêmico ou não, o fato é que já se abriu espaço para esse tipo de prova. Haverá espaço também para outras religiões? Um testemunho de um "preto velho" da Umbanda seria aceito também? Só o tempo dirá!


Curiosidades:

- Existe um grupo chamado ABRAME - Associação brasileira de Magistrados Espíritas que, obviamente, defende esse tipo de prova. O site deles é interessante e na seção de Artigos reune várias coisas interessantes envolvendo justiça e espiritismo. Quem tiver curiosidade clique aqui

- Por muito tempo eu ouvi dizer que o Brasil era um país católico e eu acreditava que isso fosse algo oficial. Registrado em Constituição ou algo do tipo. Bom. Só para exclarecer aos que também tinham essa dúvida, isso foi verdade no passado. A constituição estabelecia que a religião católica era a oficial, mas isso foi mudado em 1891, quando se instituiu o "Estado Laico", já explicado anteriormente.

- No entanto, a população brasileira é na sua maioria católica. Mais de 70%. Os espíritas somam pouco mais de 1%, declarados em censo.



6 comentários:

Ane Halfen disse...

Adorei! Pra variar, ficou muito bom, Dr. Craudio!=P

Bruna disse...

Eu sou da opinião que tudo deve ser levado em consideração!
Portanto concordo com a utilização desse tipo de "prova", embora somente nas condições que foram ressaltadas no post!


(Gostei do assunto do blog! rs)

Cintia disse...

Dez!
Adoro a forma que tu escreve, daria um bom escritor hã? Já temos médicos escritores, adévogados escritores, tals que tal um dentista agora? Junte todas as máteiras do Blag e monta um livro!!! *-* Eu compro! :D

Carlos disse...

Gostei muito do texto, explicou com belas palavras sobre o assunto, mas achei que ficou faltando alguma conclusão sabe... Não consegui sacar sua opnião sobre o assunto.

Pretendo continuar lendo o blog.
Abraço

Heitor Silva disse...

oi, acabei de cohecer seu blog e já esta nos meus favoritos...

continue assim.

MIchelle_Melo disse...

Olá, parabéns pelo Blog. Também estou escrevendo sobre este tema e gostaria muito de trocar idéias com sua esposa. Obrigada! Michelle (mrm.melo@hotmail.com)